quinta-feira, 4 de junho de 2015

Como montar uma adega - PARTE 6


Diversificação/Agregação de Valor








Agregar valor significa oferecer produtos e serviços complementares ao produto principal, diferenciando-se da concorrência e atraindo o público-alvo. Não basta possuir algo que os produtos concorrentes não oferecem. É necessário que esse algo mais seja reconhecido pelo cliente como uma vantagem competitiva e aumente o seu nível de satisfação com o produto ou serviço prestado.

As pesquisas quantitativas e qualitativas podem ajudar na identificação de benefícios de valor agregado. No caso de uma adega, existem várias oportunidades de diferenciação, tais como:
• Criação de programas de fidelidade para os clientes mais assíduos;
• Ampliação de linhas de produtos, ofertando outras bebidas alcoólicas, azeites, charutos, acessórios para vinho e taças;
• Venda de produtos por telefone e pela internet;
• Representação autorizada de vinícolas;
• Serviço especial de atendimento a supermercados e restaurantes;
• Serviço de aperitivos e iguarias no estabelecimento, para o consumo de vinhos no local;
• Oferta de cursos de vinhos.

Divulgação
A divulgação de uma adega pode ser realizada através de vários canais de comunicação, porém esse investimento deve ser planejado e adequado á realidade de cada região e local do ponto comercial. Abaixo, sugerem-se algumas ações mercadológicas eficientes:

- Divulgar em redes sociais, tais como; Facebook, Linkedin, Instagram, Google+, Twitter.

- Divulgar através de e-mail marketing e mensagens via celular (sms).

- Divulgar em sites especializados em vinhos.

- Confeccionar folders e flyers para a distribuição em residências;

- Oferecer brindes para clientes que indicam outros clientes;

- Anunciar em jornais de bairro e revistas sobre vinhos;

- Oferecer descontos e pacotes promocionais para produtos combinados;

- Montar um website com a oferta de produtos para alavancar as vendas;

- Promover eventos de degustação;

- Participar de feiras, eventos e festivais de vinhos.

- Divulgar em empresas, hotéis e restaurante

Outro ponto importante na divulgação de uma Adega é em relação aos lançamentos de novos produtos. O consumidor de vinho é um eterno “curioso” e “pesquisador”, gosta de conhecer a origem e combinações desta bebida com outros alimentos. Por isso, manter a carta de vinhos sempre atualizada e divulgar os novos vinhos, rótulos e coleções são estratégias que irão atender, satisfazer e atrair os atuais e novos clientes.

Informações Fiscais e Tributárias







O segmento de ADEGA, assim entendido pela CNAE/IBGE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) 4723-7/00 como a atividade de exploração de comércio varejista de bebidas alcoólicas e não alcoólicas, não consumidas no local de venda , poderá optar pelo SIMPLES Nacional - Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas ME (Microempresas) e EPP (Empresas de Pequeno Porte), instituído pela Lei Complementar nº 123/2006, desde que a receita bruta anual de sua atividade não ultrapasse a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) para micro empresa R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais) para empresa de pequeno porte e respeitando os demais requisitos previstos na Lei.

Nesse regime, o empreendedor poderá recolher os seguintes tributos e contribuições, por meio de apenas um documento fiscal – o DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional), que é gerado no Portal do SIMPLES Nacional (http://www8.receita.f azenda.gov.br/SimplesNacional/):

• IRPJ (imposto de renda da pessoa jurídica);
• CSLL (contribuição social sobre o lucro);
• PIS (programa de integração social);
• COFINS (contribuição para o financiamento da seguridade social);
• ICMS (imposto sobre circulação de mercadorias e serviços);
• INSS (contribuição para a Seguridade Social relativa a parte patronal).

Conforme a Lei Complementar nº 123/2006, as alíquotas do SIMPLES Nacional, para esse ramo de atividade, variam de 4% a 11,61%, dependendo da receita bruta auferida pelo negócio. No caso de início de atividade no próprio ano-calendário da opção pelo SIMPLES Nacional, para efeito de determinação da alíquota no primeiro mês de atividade, os valores de receita bruta acumulada devem ser proporcionais ao número de meses de atividade no período.

Se o Estado em que o empreendedor estiver exercendo a atividade conceder benefícios tributários para o ICMS (desde que a atividade seja tributada por esse imposto), a alíquota poderá ser reduzida conforme o caso. Na esfera Federal poderá ocorrer redução quando se tratar de PIS e/ou COFINS.

Se a receita bruta anual não ultrapassar a R$ 60.000,00 (sessenta mil reais), o empreendedor, desde que não possua e não seja sócio de outra empresa, poderá optar pelo regime denominado de MEI (Microempreendedor Individual) . Para se enquadrar no MEI o CNAE de sua atividade deve constar e ser tributado conforme a tabela da Resolução CGSN nº 94/2011 - Anexo XIII (http://www.receita.fazenda.gov.br/legislacao/resolucao/2011/CGSN/Resol94.htm ). Neste caso, os recolhimentos dos tributos e contribuições serão efetuados em valores fixos mensais conforme abaixo:

I) Sem empregado
• 5% do salário mínimo vigente - a título de contribuição previdenciária do empreendedor;
• R$ 1,00 mensais de ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias.

II) Com um empregado: (o MEI poderá ter um empregado, desde que o salário seja de um salário mínimo ou piso da categoria)

O empreendedor recolherá mensalmente, além dos valores acima, os seguintes percentuais:
• Retém do empregado 8% de INSS sobre a remuneração;
• Desembolsa 3% de INSS patronal sobre a remuneração do empregado.

Havendo receita excedente ao limite permitido superior a 20% o MEI terá seu empreendimento incluído no sistema SIMPLES NACIONAL.

Para este segmento, tanto ME, EPP ou MEI, a opção pelo SIMPLES Nacional sempre será muito vantajosa sob o aspecto tributário, bem como nas facilidades de abertura do estabelecimento e para cumprimento das obrigações acessórias.

Fundamentos Legais: Leis Complementares 123/2006 (com as alterações das Leis Complementares nºs 127/2007, 128/2008 e 139/2011) e Resolução CGSN - Comitê Gestor do Simples Nacional nº 94/2011.

Dicas de Negócio








O consumo de vinho no Brasil é influenciado por fatores sazonais e pela região geográfica. Enquanto as cidades mais frias no inverno apresentam padrões europeus de consumo, as cidades mais quentes, no verão, reduzem drasticamente a média do consumo nacional. Portanto, o sucesso de uma adega depende do volume constante da venda de vinhos ao longo de todo o ano. Por isso, é fundamental estimular o consumo da bebida por meio de cursos de vinhos, degustações patrocinadas, serviço de aperitivos e iguarias para o consumo de vinhos no local, promoções de vinícolas e ações conjuntas com bares e restaurantes.

O cliente corporativo também é importante para o giro do estoque. Um programa de atendimento preferencial para sommeliers de restaurantes e supermercados garante volumes expressivos de venda e divulga os vinhos da casa para o público.

O empreendedor deve familiarizar-se com os termos "Enófilo" e "Enólogo":

1- Enófilo é quem gosta de vinhos, que faz anotações sobre os vinhos, que frequenta confrarias ou encontros de vinhos.

2- Enólogo é um profissonal formado em Agronomia com especialização em Enologia ou formado em uma faculdade de Enologia. O Enólogo trabalha na vinícola e é responsavel por todas as decisões de produção do vinho.

Algumas dicas devem ser repassadas aos clientes ou disponibilizadas no site de uma Adega. São dicas simples e úteis para o consumidor que busca saber qual a melhor harmonização e/ou combinação do tipo vinho com os seguintes alimentos:

•Fondue de carne: vinho tinto, um pouco mais encorpado;

•Fondue de queijo: vinho branco, mas deve evitar os vinhos das uvas sauvignonblanc e gewürztraminer;

•Fondue de chocolate: Vinho tinto encorpado doce, se for de chocolate amargo, é o melhor os portos;

•Fondue Chinês: vinhos tintos leves e brancos de boa acidez;

•Fondue de Camarão: vinhos brancos amadeirados de sabor rico, os tintos não são recomendados;

•Queijos mais duroscomo parmesão, por exemplo: vinhos mais tânicos;

•Queijos mais cremosos: vinhos com mais acidez;

•Queijos azuis: vinhos doces ou generosos;

•Queijo Roquefort: vinhos doces;

•Queijo Gorgonzola: vinhos tintos potentes;

•Queijos frescos e sem casca: vinhos brancos leves;

•Queijos macios, de casca rica, como Cammembert, Brie e Gouda: vinhos tintos de classe e brancos;

•Queijos mais suaves, do tipo Emmenthal e Gruyère: vinhos tintos pouco tânicos e suaves;

•Queijos de massa mole tais como os frescos de cabra e ricota: vinhos brancos leves e aromáticos;

•Massas com molhos à base de tomate: vinho rosé;

•Massas com molhos com carne: vinho vermelho;

•Massas com molhos com creme: vinho branco;

•Massas com frutos do mar: vinho branco;

•Massas ao pesto, feito à base de azeite de oliva, alho e manjericão: vinho branco;

•Carnes BrancasGrelhadas ou em molho leve: vinho espumante brutou Branco seco de boa estrutura, jovem ou maduro ou tinto jovem ou de médio corpo;

•Carnes grelhadas em molho forte: vinho tinto maduro de médio corpo a robusto;

•Caças de penas, Pato, CoqauVin: vinho tinto maduro de médio corpo a robusto

•Peru: vinho tinto leve ou de médio corpo

•Peixes e Frutos do mar grelhados ou em molho leve ou crus (sushi): vinho espumante brut ou demi-sec ou vinho branco seco frutado jovem ou levemente maduro;

•Peixes e Frutos do mar grelhados em molhos fortes: vinho branco maduro de boa estrutura ou Rosé seco de qualidade ou Tinto jovem de leve ou médio corpo;

•Bacalhau: vinho tinto jovem ou de médio corpo ou Branco maduro, de bom corpo

•Anchova, atum, salmão e sardinha: vinho tinto jovem ou de médio corpo ou Branco maduro ou Rosé de boa estrutura.

Características








Ao escolher um determinado ramo de negócios, o empreendedor deve identificar-se com o segmento escolhido. Fazer o que gosta é mais prazeroso e mais produtivo. O ideal é que o empreendedor aprecie este tipo de bebida.

É fundamental ter tino comercial, estar atento às tendências do setor e hábitos dos clientes. Deve identificar os movimentos deste mercado e adaptá-los à sua oferta, reconhecendo as preferências dos clientes e renovando continuamente a oferta de produtos.

Caso o empreendedor assuma as funções de sommelier da adega, algumas competências adicionais são necessárias. Olfato apurado e boa memória auxiliam na identificação das características dos vinhos. Hábitos como não fumar e não beber em demasia também contribui. E, além de tudo, conhecer os rótulos, saber orientar os clientes sobre as características dos vinhos, sugerir a harmonização com pratos e prestar informações sobre a conservação adequada das garrafas e a forma correta de servir.

Outras características importantes, relacionadas ao risco do negócio, podem ajudar no sucesso do empreendimento:

• Busca constante de informações e oportunidades;

• Iniciativa e persistência;

• Comprometimento;

• Qualidade e eficiência;

• Capacidade de estabelecer metas e assumir riscos;

• Planejamento e monitoramento sistemáticos;

• Independência e autoconfiança;

• Senso de oportunidade;

• Conhecimento do ramo;

• Liderança.

• Capacidade de negociação



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