domingo, 7 de junho de 2015

Como montar um serviço de coleta de resíduos de construção - PARTE 4

Organização do Processo Produtivo






De uma maneira simplificada, o processo produtivo de uma empresa de coleta e reciclagem de resíduos sólidos consiste nas seguintes etapas:

1) Caminhão da construtora entrega material (depositado em caçambas);
2) Avaliação visual da qualidade do entulho descarregado;
3) Separação manual, junto com os funcionários, de metal, papel, papelão, plástico, etc., para venda (ou doação à entidades que trabalham com reciclagem), sendo o restante enviado para britagem;
4) Alimentação do equipamento de britagem com o entulho previamente limpo;
5) Britagem dos resíduos;
6) Separação magnética/densidade de pedaços de metais possivelmente existentes (o metal pode ser vendido ou doado);
7) Peneiramento e classificação do material (areia, brita 1, brita 2, pedrisco e rachão);
8) Empilhamento do material britado, peneirado e classificado (pá carregadeira remove material);
9) Estocagem segregada dos produtos prontos para a venda (frota de entrega sob responsabilidade do cliente, ou terceirizada quando necessário).

Automação
Atualmente, existem diversos sistemas informatizados que podem auxiliar o empreendedor na gestão de uma pequena empresa (vide http://www.baixaki.com.br ou http://www.superdownloads.com.br). Seguem algumas opções:

• Automatiza Financeiro.
• Sistema CRGNET.
• Financeiro.
• Orçamento Empresarial.
• SIC – Sistema Integrado Comercial.
• PDV Empresarial Professional.
• Sintec-pro.
• InstantCashBook.
• Direct Control Standard.
• Desktop Sales Manager.
• SGCON – Sistema Gerencial Contábil.
• Advanced Accounting Powered by CAS.
• Contact your Client Professional.
• JFinanças Empresa.
• GPI – Gerenciador Pessoal Integrado.
• SGI – Sistema Gerencial Integrado.
• MaxControl.
• Apexico VAT-Books.
• Yosemite Backup Standard.
• ERP Lite Free.
• II Worklog.
• Business Reports
• Fortuna 6.0
• Terrasoft CRM.
• Plano de Contas Gerencial.
• Spk Business.
• Controle de estoques.
• Magic Cash.


No caso especifíco da indústria da construção civil, alguns dos itens a serem reciclados podem ser desenvolvidos em laboratório especializado, onde todas as matérias-primas passam por um rigoroso sistema de qualidade (existem softwares específicos para analisar a qualidade dos componentes do produto final). Nesse setor, um exemplo é o GE Fanuc Intelligent Platform (http://www.ge-ip.com/ ) que fornece uma completa solução para a indústria de mineração, através de uma família modular, flexível e integrada de ferramentas de hardware e software. Essas ferramentas permitem o processo de controle, supervisão e análise dos dados processados, garantindo todo o fluxo de informação do chão de fábrica até o nível corporativo da empresa, possibilitando alta produção, desempenho de qualidade e otimização.

Canais de Distribuição






Os canais de distribuição são os meios utilizados pelas empresas para escoar sua produção. A importância dos canais de distribuição é fundamental e seu custo pode representar uma parcela considerável do preço final do produto vendido ao consumidor.
Em se tratando deste tipo de atividade, existem vários canais disponíveis, dentre os quais podemos destacar:
• Venda direta ao cliente (visitas às obras, via e-mail, telefone ou internet- site da empresa);
• Representantes, que tipicamente vendem diretamente em nome dos fabricantes;
• Distribuidoras, que geralmente vendem aos atacadistas.

Investimento
Investimento consiste na aplicação de algum tipo de recurso esperando, um retorno superior aquele investido, em um determinado período de tempo. O investimento que deve ser feito em um empreendimento varia muito de acordo com seu porte.

Em geral, na criação de uma empresa, os principais investimentos em capital fixo são compostos de:

- despesas pré-operacionais;
- criação da empresa;
- imóveis (terrenos, prédios industriais/administrativos, galpões);
- construções, urbanizações, edificações;
- imobilizações intangíveis;
- reservas de contingência (10% do total para eventualidades, por exemplo);
- máquinas e equipamentos.

Além disso, deve-se contabilizar o investimento em desenvolvimento e pesquisa (design), normatização ambiental e aquisição de novas tecnologias (sistemas informatizados, por exemplo).

O investimento inicial irá variar de acordo com a estrutura do empreendimento. Em geral, uma empresa de coleta e reciclagem de resíduos sólidos da construção civil demanda um investimento elevado tendo em vista a aquisição da área e dos equipamentos que constituem elementos de elevado preço.

De acordo com alguns dados da pesquisa realizada por Jadovski (2005), e conforme informações fornecidas pela Abrecon, o investimento inicial para uma empresa de pequeno porte deve ser alocado nos seguintes itens:

• Área: R$ 100.000,00 (considerando a aquisição do terreno, mas este valor vai depender da localização da empresa)
• Instalações da britagem: R$180.000
• Reforma e instalações (estabelecimento de toda estrutura adequada para o trabalho com reciclagem de resíduos sólidos): R$ 50.000,00
• Pá-carregadeira: R$ 200.000,00
• Caminhão (basculante) para transporte das matérias-primas e do produto final: R$ 125.000,00
• Mobiliário para área administrativa (computadores, impressoras, mesas, cadeiras, etc.): R$ 4.000,00
• Marketing inicial: R$ 3.000,00
* Despesas pré-operacionais (licenciamento, taxas, abertura da empresa): R$ 30.000,00

Total do investimento inicial: R$ 692.172,00


É importante ressaltar que esse valor de investimento pode ser bastante superior se considerarmos um empresa de médio/grande porte.
Os valores acima relacionados são apenas uma referência para constituição de um empreendimento dessa natureza. Para dados mais detalhados é necessário saber exatamente quais tipos de produtos serão vendidos pelo empresa e qual o seu porte. Nesse sentido, aconselhamos ao empreendedor interessado em constituir esse negócio, a realização de levantamento mais detalhado sobre os potenciais investimentos depois de elaborado seu plano de negócio (para elaboração do plano de negócio procure o Sebrae do seu Estado).

Capital de Giro
Capital de giro é o montante de recursos financeiros que a empresa precisa manter para garantir fluidez dos ciclos de caixa. O capital de giro funciona com uma quantia imobilizada no caixa (inclusive banco) da empresa para suportar as oscilações de caixa. O capital de giro é regulado pelos prazos praticados pela empresa, são eles: prazos médios recebidos de fornecedores (PMF); prazos médios de estocagem (PME) e prazos médios concedidos a clientes (PMCC). Quanto maior o prazo concedido aos clientes e quanto maior o prazo de estocagem, maior será sua necessidade de capital de giro. Portanto, manter estoques mínimos regulados e saber o limite de prazo a conceder ao cliente pode melhorar muito a necessidade de imobilização de dinheiro em caixa. Se o prazo médio recebido dos fornecedores de matéria-prima, mão-de-obra, aluguel, impostos e outros forem maiores que os prazos médios de estocagem somada ao prazo médio concedido ao cliente para pagamento dos produtos, a necessidade de capital de giro será positiva, ou seja, é necessária a manutenção de dinheiro disponível para suportar as oscilações de caixa. Neste caso um aumento de vendas implica também em um aumento de encaixe em capital de giro. Para tanto, o lucro apurado da empresa deve ser ao menos parcialmente reservado para complementar esta necessidade do caixa. Se ocorrer o contrário, ou seja, os prazos recebidos dos fornecedores forem maiores que os prazos médios de estocagem e os prazos concedidos aos clientes para pagamento, a necessidade de capital de giro é negativa. Neste caso, deve-se atentar para quanto do dinheiro disponível em caixa é necessário para honrar compromissos de pagamentos futuros (fornecedores, impostos). Portanto, retiradas e imobilizações excessivas poderão fazer com que a empresa venha a ter problemas com seus pagamentos futuros. Um fluxo de caixa, com previsão de saldos futuros de caixa deve ser implantado na empresa para a gestão competente da necessidade de capital de giro. Só assim as variações nas vendas e nos prazos praticados no mercado poderão ser geridas com precisão.

O Capital de giro necessário para manutenção do empreendimento também vai variar de acordo com o seu porte. Ne caso de uma empresa de coleta e reciclagem de resíduos sólidos da construção civil, é estimado em 15% dos custos variáveis de operação (Jadovski ,2005).

Custos






São todos os gastos realizados na produção de um bem ou serviço e que serão incorporados posteriormente ao preço dos produtos ou serviços prestados, como: aluguel, água, luz, salários, honorários profissionais, despesas de vendas, matéria-prima e insumos consumidos no processo de produção.

O cuidado na administração e redução de todos os custos envolvidos na compra, produção e venda de produtos ou serviços que compõem o negócio, indica que o empreendedor poderá ter sucesso ou insucesso, na medida em que encarar como ponto fundamental à redução de desperdícios, a compra pelo melhor preço e o controle de todas as despesas internas. Quanto menores os custos, maior a chance de ganhar no resultado final do negócio.

É importante ressaltar que os custos dependem muito do tamanho da empresa e dos produtos que ela pretende comercializar. Além disso, os custos dependerão da localização da empresa (quanto mais longe da matéria-prima, maiores serão os custos de transporte, por exemplo) e também do Estado no qual a empresa está localizada (em média, os salários das regiões Sul e Sudeste são mais elevados que os salários das regiões Norte e Nordeste).

Para uma empresa de coleta e reciclagem de resíduos sólidos da construção civil de pequeno porte podemos estimar os seguintes custos:

Quadro de Pessoal (salários diretos, terceirizados e pró-labore do empreendedor): 25.263,00 reais/mês

Custos operacionais:

• Custo de depreciação das máquinas e equipamentos (considerar anualmente 10% do valor do investimento inicial efetuado nas máquinas e equipamentos);
• Despesas com frete, armazenamento e transporte: 6.000 reais/mês

Outros custos:

• Material de consumo: 3.000,00 reais/mês
• Água, luz, telefone e acesso à internet: 2.500,00 reais/mês
• Despesas indiretas de manutenção: 5.000,00 reais/mês
• Depreciação das obras civis: 5.000, 00 reais/mês

Total da estimativa dos custos: 46.763 reais/mês

OBS: Ainda no que se refere aos custos dessa atividade, foi observado por John (1998) que a viabilidade financeira de um novo produto deve ser avaliada levando em consideração o valor de mercado do produto, os custos do processo de reciclagem, mais o custo de disposição do resíduo em aterro. É indispensável, para o sucesso econômico da reciclagem, minimizar a distância entre o reciclador, o fornecedor de resíduos e o mercado consumidor, bem como o uso de agregados reciclados deve ser avaliado localmente, baseando-se nos custos, qualidade e fatores de mercado (Wilburn; Goonan, 1998, citados por Jonh, 1998).

Lembramos que cada empreendimento é um caso diferente (e possui custos diferenciados), portanto aconselhamos que seja elaborado um plano de negócios antes da criação da empresa com a ajuda do Sebrae no sentido de dimensionar os reais custos relativos ao negócio que se pretende criar.

Diversificação/Agregação de Valor
Agregar valor é dar um salto de qualidade em uma ou mais características do produto ou serviço, que de fato são relevantes para a escolha do consumidor. Não basta possuir algo que os produtos concorrentes não oferecem. É necessário que esse algo a mais seja reconhecido pelo cliente como uma vantagem competitiva e aumente o seu nível de satisfação com o produto ou serviço prestado. Além disso, para agregar valor, não basta reduzir custos, é preciso conhecer bem o mercado no qual a empresa atua, bem como as preferências dos clientes.

A própria atividade da reciclagem por si só já agrega valor pelo fato que recupera um produto anteriormente descartado, reciclando-o ou reutilizando-o. Tal solução reflete em melhorias ambientais e sociais diretas, trazendo benefícios econômicos para o mercado da construção, com a criação de produtos alternativos de menor custo.

Um grande diferencial do produto reciclado é o valor reduzido mantendo-se sua qualidade. Nesse caso, a realização de uma parceria com a Universidade local (ou centro de pequisa), por exemplo, pode ser interessante por dois fatores: primeiro, o empreendedor poderá beneficiar-se de laboratório equipado reduzindo seus custos nesse sentido; segundo, porque a Universidade oferece mão-de-obra já qualificada e experiente. Tal parceria pode garantir a qualidade do produto em termos de resistência, durabilidade, aplicações, atestando a homogeneidade do produto e reduzindo barreiras culturais em relação à qualidade de produtos reciclados.

Além disso, uma forma que sempre garante melhoria da qualidade de um produto está estreitamente ligada ao melhorando e capacitação da mão-de-obra (realização de cursos e treinamentos junto aos funcionários) no sentido de aperfeiçoar produtos e processos (neste caso, também aconselhamos cursos voltados para sustentabilidade “abrindo a mente” da sua equipe para uma conscientização ecológica!).

Divulgação
A divulgação de um produto tem como objetivo construir uma imagem favorável na mente dos consumidores atuais e em potencial. Em outras palavras: a divulgação coloca a empresa entre as elegíveis para atender às necessidades do comprador.

Além das influências do macroambiente, a opinião de um consumidor é formada principalmente pela forma como a empresa faz a sua divulgação, somada às experiências com o produto, e às recomendações de pessoas próximas.

As empresas especilizadas na coleta e reciclagem de resíduos sólidos da construção civil podem divulgar seus produtos através de sites e de revistas especializadas do setor da construção civil (por exemplo: Revista Limpeza Pública, Conexão Academia da ABRELPE, Revista Ecológica, Brasil Mineral, Areia & Brita, Sindareia, Revista Minérios, etc.). Outro importante meio de divulgação é a participação em associações de produtores conhecidos nacionalmente e internacionalmente (veja a lista das entidades no item entidades em geral)

O setor também conta com uma vasta gama de feiras e eventos no Brasil e no exterior, que proporcionam a divulgação dos negócios e estreitam as relações entre fornecedores e clientes.
Dentre as vantagens da participação em feiras se encontram:
• abertura de novos mercados;
• foco no público de interesse;
• possibilidade de obtenção e troca de informações sobre mercado, tendências, evolução tecnológica, concorrentes, exigências do mercado comprador; adequação de seus produtos às necessidades do mercado, e fechamento de negócios.
Além dessas formas de divulgação, podemos ainda lembrar as tradicionais lista telefônica e catálogos de endereços de empresas que podem ser consultados pelos potenciais consumidores.


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