Estrutura
A
estrutura de uma empresa depende diretamente do seu porte e do tipo de
atividades/processos que pretende realizar/operar. Uma estrutura mal planejada
pode aumentar custos, reduzir a produtividade e até mesmo causar acidentes de
trabalho e/ou ambientais.
A
área necessária para implantação de uma empresa de coleta e reciclagem de
resíduos sólidos vai variar conforme a capacidade de reciclagem do
empreendimento. No caso de uma pequena empresa, estima-se que, para que ela
seja viável economicamente é necessária uma área de 6.500 m2 capaz de atender a
uma capacidade de 40 t/h (Jadovski, 2005).
A
estrutura da empresa deverá conter:
•
Local de entrada e saída de caminhões caçambas, com operação de lavagem de
rodas dos caminhões, com caixa separadora de areia;
•
Recepção;
•
Escritório suspenso;
•
Laboratório (opcional se a empresa tiver uma parceria com universidades ou
centros de pesquisa);
•
Locais de armazenagem;
•
Locais de triagem;
•
Locais de armazenagem pós-triagem;
•
Local de materiais para beneficiamento;
•
Local de materiais para reciclagem/venda (agregado reciclado);
•
Local de materiais para reciclagem/venda (outros resíduos);
•
WCs feminino e masculino com vestiário;
•
Guarita para Segurança;
•
Restaurante;
•
Café;
•
Muros de delimitação de área e portão garantindo o controle de acesso ao local,
com sistema de sinalização na entrada e saída, identificando o empreendimento;
•
Plantio de árvores junto ao muro agindo como zona de contenção impedindo que a
poeira e os ruídos provenientes da atividade não incomodem a vizinhança de seu
entorno imediato;
•
Sistema de drenagem de águas pluviais;
•
Monitoramento de águas superficiais e subterrâneas.
Todas
as áreas e manuseio e armazenagem de resíduos deverão ser cobertas com base
impermeabilizada, tendo que ser previstos sistema de controle de poeiras e
elementos de drenagem e tanque de armazenagem temporária de efluentes líquidos.
Também é preciso que o esgoto sanitário seja segregado dos demais efluentes
para lançamento em rede pública (conforme art. 19 do Decreto 8468/76).
Todo
transporte deve prever umectação, impermeabilização e enlonamento da carga,
para não causarem incômodos aos vizinhos nem emitirem particulados.
Toda
operação deverá ser registrada, para controle de todos os resíduos recebidos
(data, quantidade, características, destinação dos resíduos rejeitados,
análises e inspeções realizadas, etc.), bem como possíveis incidentes ocorridos
e os dados de monitoramento de águas superficiais e subterrâneas (informações
fornecidas pela ABRECON).
Pessoal
O
pessoal que deverá operar em uma empresa de coleta e reciclagem de resíduos
sólidos da construção civil irá variar de acordo com a estrutura e porte do
empreendimento.
Para
uma empresa de pequeno porte, podemos estimar que a equipe será composta de: 1
engenheiro civil, 1 secretária, 1 porteiro, 5 auxiliares de triagem, 2 vigias,
1 operador de britagem, 1 operador de máquina, 1 auxiliar de manutenção.
Os
auxiliares de triagem são responsáveis por executar, sob orientação, os
serviços de recepção, separação/ triagem da matéria-prima que chega à empresa.
O
operador de britagem é responsável pelo funcionamento de uma máquina de britar,
manejando os seus comandos, para reduzir os pedaços dos resíduos ao tamanho
desejado.
Além
da equipe assinalada, é fundamental lembrar que a empresa necessitará de:
Diretoria
Administrativa e Financeira (pode ser o próprio empreendedor): responsável pelo
controle financeiro, administração de recebimentos e contas a pagar, negociação
de prazos e preços dos produtos. Esta diretoria tem relação direta com os
clientes e fornecedores. No que se refere ao aspecto administrativo, essa
diretoria é responsável pelos tratamentos jurídicos da empresa, especialmente
na fase inicial. Atenderá aos órgãos reguladores, manterá relações com os
sindicatos e as associações de classe. Será o contato da empresa junto às
prefeituras e construtoras.
Diretoria
Industrial e de Controle da Qualidade (pode ser coordenada pelo engenheiro
civil): responsável pela parte qualitativa do processo que envolve a composição
dos resíduos que irão compor os agregados a serem produzidos. Esta diretoria
coordena a área de pesquisa, análise e desenvolvimento de produtos, tendo como
interface centros de pesquisa e universidades. Além disso, é responsável pelo
processo produtivo da empresa, coordenando desde a seleção e triagem dos
materiais até o processo de reciclagem, gerenciando o parque produtivo, a
mão-de-obra e o fluxo de cargas.
As
empresas devem fornecer treinamentos e cursos de capacitação aos seus
funcionários, com ensinamentos de meio ambiente, desperdício, tipos de
resíduos, impactos ambientais, matemática, português, comunicação, entre
outros. Ademais, as empresas devem priorizar a segurança do trabalho e a
fiscalização das obras (Freitas, 2009).
Do
ponto de vista legal, o empreendedor deve estar atento para a convenção
coletiva do sindicato dos trabalhadores nessa área, utilizando-a como
balizadora dos salários e orientadora das relações trabalhistas, evitando,
assim, conseqüências desagradáveis.
Equipamentos
No
trabalho realizado por Jadovski (2005), o autor cita os seguintes equipamentos
necessários para realização das prinicipais etapas do processo produtivo de uma
empresa de coleta e reciclagem de resíduos sólidos da construção civil:
a)
Alimentadores
Os
alimentadores são equipamentos utilizados para alimentação de britadores
primários, retomada de materiais sob silos e pilhas, alimentação com dosagem de
rebritadores e moinhos, dentre outras funções.
b)
Britadores
Conceitua-se
britagem como a fase grosseira da cominuição de minerais, sendo que os
britadores merecem atenção especial, pois são os equipamentos mais importantes
em uma usina de reciclagem de resíduos sólidos e determinam a maior parte das
propriedades dos agregados produzidos. Os principais tipos de britadores são os
de mandíbulas e giratórios e os rebritadores hidráulicos, de cones e de rolos.
c)
Máquinas de impacto
Ao
contrário dos britadores de mandíbulas, as máquinas de impacto realizam a
britagem através do choque do material contra as paredes fixas e peças móveis
do equipamento. Os principais tipos são o britador de impacto, moinhos de martelos,
VSI e moinho de bolas.
d)
Peneiras e gulhos
Durante
o processo de peneiramento a camada de material tende a desenvolver um estado
fluído, sendo que a classificação se dá através dos processos de estratificação
e de separação (nos quais são usados as peneiras e gulhos).
e)
Transportadores de correias
Os
transportadores de correia são compostos por roletes, tambores, acionadores,
esticadores, estrutura metálica e acessórios. O rolete é composto por um
conjunto de rolos geralmente cilíndricos e seu suporte. Os rolos são capazes de
efetuar livre rotação em torno do seu eixo, e são usados para suportar e/ou
guiar a correia transportadora. Os tambores são elementos para transmissão, que
podem ser de acionamento (para transmissão do torque), de retorno (servem para
o retorno da correia), de dobra (utilizados quando é necessário um desvio no
curso da correia), de encosto (para aumentar o ângulo de contato do tambor de
acionamento) e esticador. Podem ainda ser classificados em lisos ou revestidos,
e serem sub-divididos em planos, abaulados e nervurados. A principal função dos
esticadores é garantir a tensão
conveniente
na correia para o seu acionamento, e também absorver as variações no
comprimento da correia causadas por mudanças de temperatura, oscilações de
carga, tempo de trabalho, etc.
f)
Lavadores
A
lavagem tem por objetivo a remoção de materiais indesejáveis, principalmente
argila e partículas super finas. É aplicada também na classificação de
materiais finos e úmidos, cujo peneiramento é extremamente difícil sem o
emprego da lavagem.
Ademais,
em uma empresa de reciclagem de resíduos sólidos existe a necessidade de
redução das dimensões do resíduo que chega na usina. Para este fim existem
equipamentos específicos que funcionam por acionamento hidráulico, podendo-se
citar os seguintes (Sandvik, 2004 citado por Jadovkki, 2005 ):
a)
rompedores hidráulicos: podem ser montados em equipamentos móveis ou sistemas
estacionários de pedestal;
b)
tesouras trituradoras: usadas na demolição de concreto, cortes de vigas de aço
e demolição de pontes. Possuem rotação livre de 360º. Oferecem maior
produtividade e versatilidade em operações com restrições de espaço;
c)
pulverizadores: usados para reduzir o tamanho dos blocos de concreto e separar
as barras de aço, facilitando a reciclagem após a demolição.
Além
destes, também são necessários equipamentos para o espalhamento e carregamento
do resíduo, como pá-carregadeira ou retro-escavadeira.
Matéria Prima/Mercadoria
A
gestão de estoques no varejo é a procura do constante equilíbrio entre a oferta
e a demanda. Este equilíbrio deve ser sistematicamente aferido através de,
entre outros, os seguintes três importantes indicadores de desempenho: Giro dos
estoques: o giro dos estoques é um indicador do número de vezes em que o
capital investido em estoques é recuperado através das vendas. Usualmente é
medido em base anual e tem a característica de representar o que aconteceu no
passado. Obs.: Quanto maior for a freqüência de entregas dos fornecedores,
logicamente em menores lotes, maior será o índice de giro dos estoques, também
chamado de índice de rotação de estoques. Cobertura dos estoques: o índice de
cobertura dos estoques é a indicação do período de tempo que o estoque, em
determinado momento, consegue cobrir as vendas futuras, sem que haja
suprimento. Nível de serviço ao cliente: o indicador de nível de serviço ao
cliente para o ambiente do varejo de pronta entrega, isto é, aquele segmento de
negócio em que o cliente quer receber a mercadoria, ou serviço, imediatamente
após a escolha; demonstra o número de oportunidades de venda que podem ter sido
perdidas, pelo fato de não existir a mercadoria em estoque ou não se poder
executar o serviço com prontidão. Portanto, o estoque dos produtos deve ser
mínimo, visando gerar o menor impacto na alocação de capital de giro. O estoque
mínimo deve ser calculado levando-se em conta o número de dias entre o pedido
de compra e a entrega dos produtos na sede da empresa.
Neste
tipo de atividade, a matéria-prima é o entulho gerado pelas atividades da
construção civil.
A
ABRECON caracteriza o entulho como o conjunto de fragmentos ou restos de tijolo,
concreto, argamassa, aço, madeira, etc., provenientes do desperdício na
construção, reforma e/ou demolição de estruturas, como prédios, residências e
pontes.
O
entulho de construção compõe-se, portanto, de restos e fragmentos de materiais,
enquanto o de demolição é formado apenas por fragmentos, tendo por isso maior
potencial qualitativo, comparativamente ao entulho de construção. O processo de
reciclagem do entulho, para a obtenção de agregados, basicamente envolve a
seleção dos materiais recicláveis do entulho e a trituração em equipamentos
apropriados.
Os
resíduos encontrados predominantemente no entulho, que são recicláveis para a
produção de agregados, pertencem a dois grupos:
Grupo
I
Materiais
compostos de cimento, cal, areia e brita: concretos, argamassa, blocos de
concreto.
Grupo
II
Materiais
cerâmicos: telhas, manilhas, tijolos, azulejos.
Grupo
III
Materiais
não-recicláveis: solo, metal, madeira, papel, plástico, matéria orgânica, vidro
e isopor. Desses materiais, alguns são passíveis de serem selecionados e
encaminhados para outros usos. Assim, embalagens de papel e papelão, madeira e
mesmo vidro e metal podem ser recolhidos para reutilização ou reciclagem.
Em
algumas usinas de reciclagem de entulho, o gesso também é enviado a cimenteiras
para mistura.
A
mercadoria que pode ser gerada a partir desse entulho é variada. Dentre os
principais produtos, podemos elencar:
Areia
reciclada
Material
com dimensão máxima característica inferior a 4,8 mm, isento de impurezas,
proveniente da reciclagem de concreto e blocos de concreto.
Uso
recomendado: Argamassas de assentamento de alvenaria de vedação, contrapisos,
solo-cimento, blocos e tijolos de vedação.
Pedrisco
reciclado
Material
com dimensão máxima característica de 6,3 mm, isento de impurezas, proveniente
da reciclagem de concreto e blocos de concreto.
Uso
recomendado: Fabricação de artefatos de concreto, como blocos de vedação, pisos
intertravados, manilhas de esgoto, entre outros.
Brita
reciclada
Material
com dimensão máxima característica inferior a 39 mm, isento de impurezas,
proveniente da reciclagem de concreto e blocos de concreto.
Uso
recomendado: Fabricação de concretos não estruturais e obras de drenagens.
Bica
corrida
Material
proveniente da reciclagem de resíduos da construção civil, livre de impurezas,
com dimensão máxima característica de 63 mm (ou a critério do cliente).
Uso
recomendado: Obras de base e sub-base de pavimentos, reforço e subleito de
pavimentos, além de regularização de vias não pavimentadas, aterros e acerto
topográfico de terrenos.
Rachão
Material
com dimensão máxima característica inferior a 150 mm, isento de impurezas,
proveniente da reciclagem de concreto e blocos de concreto.
Uso
recomendado: Obras de pavimentação, drenagens e terraplenagem.
Fonte:
Urbem Tecnologia Ambiental (disponível em http://www.urbem.com.br/principal.h
tm Acesso em 09 de abril de 2012)
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