PESSOAL
O fator humano é
fundamental para o sucesso de uma adega. Contar com profissionais qualificados
e comprometidos deve estar no topo da lista de prioridades do empreendedor.
O número de
funcionários da adega vai variar de acordo com seu o tamanho. Em geral, uma
pequena adega pode contar com dois vendedores e um sommelier, além do gerente.
Suas atribuições são:
• Gerente:
responsável pelas atividades administrativas, financeiras, de controle de
estoque e da comercialização. Deve ter conhecimento da gestão do negócio, do
processo produtivo e do mercado de vinhos.
• Sommelier: Entre as
funções e atividades exercidas, o sommelier deve participar no planejamento e
na organização de todas as etapas do consumo do vinho, decidindo as quantidades
e qualidades a serem adquiridas, cuidando das condições ideais de armazenamento
em adegas e prateleiras até o trabalho no salão, interagindo com o consumidor
no planejamento da carta e no momento do serviço, aconselhando e informando
sobre as características do produto, sugerindo harmonizações com pratos e
demais artigos gastronômicos, tirando dúvidas e resolvendo reclamações de
clientes. O exercício do ensino sobre a bebida também está entre as
atribuições.
A Lei nº 12.467/2011,
dispõe sobre a regulamentação do exercício da profissão de Sommelier.
• Vendedor:
responsável pelo atendimento aos clientes e venda dos produtos. Suas principais
qualidades devem ser:
o Conhecer em
profundidade os produtos oferecidos;
o Entender as
necessidades dos clientes;
o Conhecer a cultura
e o funcionamento da empresa;
o Conhecer as
tendências do mercado;
o Desenvolver
relacionamentos duradouros com os clientes;
o Transmitir
confiabilidade e carisma;
o Atualizar-se sobre
as novidades do segmento;
o Zelar pelo bom
atendimento após a compra.
Normalmente, a adega
funciona em horário comercial das 9h às 18 h. Adegas situadas em shopping
centers seguem o horário do centro comercial, normalmente das 10 às 22 h.
Sábados e domingos são dias de grande faturamento. Dependendo do movimento e da
época do ano, pode ser necessária a ampliação do horário de funcionamento,
exigindo a contratação temporária de mais vendedores. Esta expansão do negócio
precisa ser planejada conforme o aumento do faturamento.
O atendimento é um
item que merece uma atenção especial do empresário, visto que, nesse segmento
de negócio, os clientes satisfeitos ajudam na divulgação da adega para novos
clientes. Além disso, o consumidor de vinho no Brasil tem dificuldade de fazer
a distinção entre os produtos e não sabe diferenciá-los corretamente. A
qualificação de profissionais também aumenta o comprometimento com a empresa,
eleva o nível de retenção de funcionários, melhora a performance do negócio e
diminui os custos trabalhistas com a rotatividade de pessoal.
O empreendedor pode
participar de seminários, congressos e cursos direcionados ao seu ramo de
negócio, para manter-se atualizado e sintonizado com as tendências do setor.
Estes cursos são oferecidos pelos fornecedores e associações especializadas
(vide tópico Entidades em Geral).
O treinamento dos
funcionários deve desenvolver as seguintes competências:
• Capacidade de
percepção para entender e atender as expectativas dos clientes;
• Agilidade e
presteza no atendimento;
• Capacidade de
apresentar e vender os produtos da adega;
• Motivação para
crescer juntamente com o negócio.
Deve-se estar atento
para a Convenção Coletiva do Sindicato dos Trabalhadores nessa área,
utilizando-a como balizadora dos salários e orientadora das relações
trabalhistas, evitando, assim, conseqüências desagradáveis.
Equipamentos
Os equipamentos mais
importantes para uma adega são os responsáveis pela climatização do estoque de
vinhos. Calculam-se quantas pessoas devem circular na adega e com qual
freqüência, qual o isolamento das paredes, quantas garrafas a adega irá
comportar e se haverá alguma fonte de calor (como computadores e miniadegas,
por exemplo). Posteriormente, é possível saber qual a potência necessária para
o condensador e evaporador garantirem a temperatura e a umidade ideais para a
conservação das garrafas.
Antes de comprar os
equipamentos, é recomendável fazer um pequeno projeto de layout da loja com a
disposição dos equipamentos. Nesse momento, o empreendedor deverá ter definido
o mix de produtos da adega, deverá saber qual a quantidade de garrafas vai
trabalhar e como será a exposição dos produtos nos móveis, gôndolas e/ou
prateleiras.
Ao definir os
equipamentos de uma adega, o empreendedor deve levar em consideração, os
seguintes cuidados com as garrafas de vinho:
-Posição: As garrafas
devem estar sempre na posição horizontal ou levemente inclinadas para baixo,
para que a rolha esteja sempre irrigada pelo vinho mantendo – se dilatada e
ajudando em sua conservação e;
-Disposição: Vinhos
brancos e jovens são guardados em baixo, à uma temperatura inferior. Já os
vinhos tintos são armazenados em cima. Vinhos generosos e licorosos devem ser
guardados em pé.
Profissionais
qualificados (arquitetos, engenheiros, decoradores) poderão ajudar a definir as
alterações a serem feitas no imóvel escolhido para funcionamento da adega,
orientando em questões sobre ergometria, fluxo de operação, design dos móveis,
iluminação, ventilação, etc.
Segue abaixo algumas
opções de fornecedores de equipamentos:
1 – NSF Indústria
Rua Eduardo Gobato,
nr. 183 Quadra 12 CEAT
Cidade : São Carlos –
SP
Cep : 13.573-440
Site: www.nsf.ind.br
Telefone : ( 16 )
3377-9700
2 – Gôndola
Avenida Cesário
Alvim, nr. 2686
Cidade :Uberlândia –
MG
Cep : 38.400-694
Site: www.gondola.com.br
Telefone : ( 34 )
3211-0090 / ( 34 ) 9103-7510
3 – FastGôndolas e
Checkouts
Av. Esperanto, 765 –
Cilo II
Cidade :Londrina – PR
Cep : 86.067-100
Site:
www.fastgondolas.com.br
Telefone : ( 43 )
3373-9000
Ao comprar os
equipamentos, o empreendedor deve ficar atento quanto à garantia e assistência
técnica por parte dos fornecedores, uma vez que a adega climatizada precisará
de manutenção preventiva ou corretiva.
À seguir, veja
algumas situações que causam mau funcionamento de uma adega climatizada e
possíveis soluções.
•A adega não funciona
- Verifique se falta energia elétrica, se o plugue está conectado à tomada e se
o fusível não se encontra queimado.
•A adega está
refrigerando excessivamente- O botão de controle de temperatura pode ter sido
ajustado para um ponto baixo de temperatura ou se for colocado algum objeto
diretamente sob as saídas de ar frio, elas poderão se congelar facilmente. Isso
não indica um mau funcionamento.
•A adeganão está
refrigerando suficientemente– Verifique se foi colocado algo quente ou vários
objetos na adega, se a porta pode não ter sido fechada adequadamente, se a
adega pode não estar bem ventilada, se a distância entre a adega e as
superfícies em ambos os lados e acima pode ser insuficiente, se o botão de
controle da temperatura não foi sido ajustado adequadamente.
•A água em degelo
escorre de dentro da adega até o chão - Verifique se o tubo de drenagem e o
orifício de drenagem não se encontram obstruídos, ou se o coletor de drenagem
está alojado adequadamente.
•O gabinete frontal
da adega está aquecido - Visando a proteção contra condensação, há um tubo
anti-condensação que aquece a frente do gabinete quando estiver em
funcionamento. Um gabinete frontal quente não indica um mau funcionamento.
•Existe condensação
do lado de fora da adega - Condensação pode formar-se do lado de fora quando a
umidade estiver alta durante uma estação úmida, por exemplo. O resultado é o
mesmo da condensação formada quando água resfriada é colocada em um copo. Isso,
no entanto, não configura um defeito. Limpe o vidro com um pano seco.
•A adega emite um som
de água fluindo - Um som semelhante ao de água fluindo é o som da sua adega
funcionando e não indica um mau funcionamento.
•O painel lateral do
gabinete está aquecido- O painel lateral do gabinete irá esquentar quando a
porta for aberta e fechada com freqüência. Também, quando você ligar a unidade
e quando esta operar no verão com alta temperatura-ambiente externa. Em uma
situação assim, não toque o painel. Esta temperatura elevada resulta da
dissipação do calor do interior do gabinete e não significa que há algo errado
com a sua adega.
Matéria Prima/Mercadoria
A gestão de estoques
no varejo é a procura do constante equilíbrio entre a oferta e a demanda. Este
equilíbrio deve ser sistematicamente aferido através de, entre outros, os
seguintes três importantes indicadores de desempenho:
-Giro dos estoques: o
giro dos estoques é um indicador do número de vezes em que o capital investido
em estoques é recuperado através das vendas. Usualmente é medido em base anual
e tem a característica de representar o que aconteceu no passado. Observação:
Quanto maior for a freqüência de entregas dos fornecedores, logicamente em
menores lotes, maior será o índice de giro dos estoques, também chamado de
índice de rotação de estoques.
-Cobertura dos
estoques: o índice de cobertura dos estoques é a indicação do período de tempo
que o estoque, em determinado momento, consegue cobrir as vendas futuras, sem
que haja suprimento.
-Nível de serviço ao
cliente: o indicador de nível de serviço ao cliente para o ambiente do varejo
de pronta entrega, isto é, aquele segmento de negócio em que o cliente quer
receber a mercadoria, ou serviço, imediatamente após a escolha; demonstra o
número de oportunidades de venda que podem ter sido perdidas, pelo fato de não
existir a mercadoria em estoque ou não se poder executar o serviço com
prontidão.
Portanto, o estoque
dos produtos deve ser mínimo, visando gerar o menor impacto na alocação de
capital de giro. O estoque mínimo deve ser calculado levando-se em conta o
número de dias entre o pedido de compra e a entrega dos produtos na sede da
empresa.
O estoque de
mercadorias é muito importante para o sucesso de uma adega. O empreendedor deve
conhecer o perfil de sua clientela e vender vinhos que atendam ao seu poder
aquisitivo e satisfaçam os seus desejos de consumo.
Importante: Um dos
pilares do processo de gestão de estoques em uma adega é a realização de
inventários, que significa verificar se o estoque físico é igual ao estoque
informado nos sistemas de controle periodicamente. Esta ferramenta possibilita
o diagnóstico de problemas e auxilia a implementaçãode soluções com maior
assertividade. Este procedimento é capaz de identificar problemas como:
•Rupturas: produtos
armazenados no depósito, mas não expostos nas gôndolas;
•Estoques negativos:
produtos inexistentes que por um erro de contagem ou digitação na entrada do
produto constam como “existentes”;
•Perdas de produtos
por avarias;
•Perdas de produtos
por fraudes;
•Roubos ou extravios
de produtos;
•Falhas no processo
de entrada e saída de Notas Fiscais: produtos que foram registrados errados em
uma movimentação de entrada ou saídae
•Identificação de
produtos vencidos.
No processo de
fermentação do vinho, formam-se várias substâncias naturais que diferenciam um
vinho do outro. O gosto do vinho é determinado por uma série de fatores como: o
estado de maturação da uva, tipo de uva utilizada e o grau de amadurecimento e
envelhecimento do vinho.Os vinhos tintos mais encorpados podem ser conservados
a 17° C, para não perder a expressão aromática e evitar ressaltar os taninos.
Já os brancos podem ser apreciados numa temperatura de 10ºC a 12ºC.Os menos
encorpados podem ser conservados a 13° C e o vinho do Porto a 15° C. Já para os
tintos de mesa, a temperatura deve ser mais alta, por volta de 18 ° C.
Existem cinco tipos
distintos de vinhos:
• Tinto: obtido
através de uvas tintas ou das tintureiras (aquelas em que a polpa também possui
pigmentos);
• Branco: obtido
através de uvas brancas ou de uvas tintas, desde que as cascas não entrem em
contato com o mostoe que essas não sejam tintureiras;
• Rosé: obtido
através da mistura de vinho tinto com branco ou diminuindo o tempo de maceração
(contato do mosto com as cascas) da vinificação do vinho tinto;
• Espumante: passa
por uma fermentação alcoólica na garrafa (chamado de método tradicional ou
champenoise) ou em autoclave (tanque isobarométrico), também chamado de
charmat. Ambas as formas de vinificação fazem a fermentação em recipiente
fechado, incorporando CO2 ao líquido para produzir borbulhas, ou pérlage;
• Fortificado: vinho
em que a fermentação alcoólica é interrompida pela adição de aguardente. De
acordo com o momento de interrupção e da uva que está sendo utilizada, ficará
mais ou menos doce. O grau alcoólico final dos vinhos fortificados fica entre
19-22% vol. Os mais famosos são o vinho do Porto (Portugal), vinho da Madeira
(Portugal), Xerez (Espanha) e Marsala (Sicília).
Os vinhos podem
receber outras classificações. Quanto à classe, podem ser:
• De mesa: com
graduação alcoólica de 10° a 13°.
• Finos ou nobres:
produzidos somente de uvas viníferas.
• Comuns: produzidos
com variedades híbridas ou americanas.
• Especiais: vinhos
mistos, produzidos de variedades viníferas e uvas híbridas ou americanas.
• Frisantes: com
gaseificação mínima de meia atmosfera e máxima de duas atmosferas.
• Leve: graduação
alcoólica de 7° a 9,9° GL, elaborado sempre com uvas viníferas.
• Espumante:
resultante unicamente de uma segunda fermentação alcoólica, resultando em
borbulhas – graduação alcoólica de 10° a 13° GL.
• Licoroso: graduação
alcoólica de 14° a 18°, adicionado ou não de álcool potável, caramelo,
concentrado de mosto e sacarose.
• Composto ou
Fortificado: graduação alcoólica de 15° a 18°, obtida pela adição de plantas
amargas ou aromáticas ou substâncias de origem mineral ou animal.
Quanto à cor, podem
ser
•Tinto: produzido a
partir de variedades de uvas tintas, com longo contato com a casca da fruta. A
diferença de tonalidade depende de tipo de fruto, do tempo e do método de
envelhecimento.
•Branco: produzido em
sua maioria, a partir de uvas brancas. Quando produto de uvas tintas, a
fermentação é feita com a ausência das cascas.
•Rosado, rosé ou
clarete: com aparencia intermediaria pode ser produzido de duas formas:
•De uvas tintas: com
breve contato com as cascas que dão a pigmentação ao vinho, que após são
separadas.
•Por corte: obtém-se
pela mistura, de um vinho branco com um vinho tinto.
Quanto ao teor de
açúcar, podem ser:
• Brut-nature: sem
adição de açúcar;
• Extra-brut: de 0 a
6 g/l;
• Brut: de 6 a 15
g/l;
• Extra-seco: entre
12 e 20 g/l;
• Seco ou dry: entre
17 e 35 g/l;
• Meio doce, meio
seco ou demi-sec: entre 33 e 50 g/l;
• Doce: mais de 50
g/l.
As principais uvas para vinhos tintos são:
• Aglianico:
apresenta grande concentração de taninos e acidez, própria para envelhecimento.
Encontrada no Sul da Itália, principalmente em rótulos de Campania e
Basilicata.
• AlicanteBouschet
(garnachatintorera): fruto do cruzamento da grenache com petitverdot realizado
pelo francês LuisBouschet de Bernard e seu filho Henri em 1866, esta variedade
é mais indicada quando misturada a outras uvas. Em Portugal, na região do
Alentejo, é uma importante uva na composição de certos vinhos, onde dá um dá
aromas de menta e eucalipto. Confere longevidade e cor ao vinho.
• Baga: é a principal
uva da região portuguesa da Bairrada e produz vinhos bastante adstringentes.
Mas bons produtores, como Luis Pato, vinificam exemplares refinados e ricos de
aroma e sabor.
• Barbera: a mais
popular das uvas do Piemonte, norte da Itália é ao lado da sangiovese a
variedade mais cultivada do país. Dá tantos vinhos leves do dia-a-dia como
exemplares escuros e frutados, com alta acidez e concentração e boa capacidade
de envelhecimento.
• Bonarda: outra
variedade típica do Piemonte, na Itália. Seu nome completo é BonardaPiemontese.
Produz vinhos leves, frutados, melhor quando bebidos jovens. Também foi muito
utilizada na Argentina para produção de vinhos do dia-a-dia para consumo
interno.
• Cabernet Franc:
terceira uva tinta mais importante de Bordeaux, depois da Pommerol e Saint
Emilion, é mais leve e com menos taninos que a cabernetsauvignon e amadurece
mais cedo. É muito usada no corte com outras uvas. Na região do Loire dá vinhos
mais herbáceos, onde é conhecida como Breton. É a uva principal do insensado e
caro ChâteauCheval Blanc.
• Cabernet Sauvignon:
a mais clássica e conhecida das variedades de vitis vinífera, base do corte
usado nos grandes vinhos de Bordeaux (Latour, Mouton-Rothshild, Lafite, Latour,
Margouxetc). É uva mais difundida em todo o mundo e responsável pelos melhores
rótulos do planeta. Tem amadurecimento tardio e produz tintos secos de
semi-incorpados a incorpados; tânico quando jovem, garante um melhor
envelhecimento da bebida na garrafa e a passagem pelo barril de carvalho pode
aparar suas arestas. Tem um amplo espectro de aromas: frutas vermelhas, café,
chocolate geléia e tabaco, quando envelhecidos. No Chile tem uma característica
mais mentolada. Enriquece quando misturada à merlot, cabernetfranc, Shiraz,
petitverdot ou malbec. Na Austrália geralmente é mesclado ao Shiraz. Produz os
melhores tintos do Brasil e do Chile.
• Carignan (cariñena,
mazuelo): originária do norte da Espanha é das espécies mais cultivadas na
França, particularmente na região de Languedoc-Roussillon. Normalmente é
misturada com a grenache e a cinsault, e resulta em vinhos mais comuns, de
mesa, de cor escura e forte teor de álcool.
• Carmenère:
originária de Bordeaux, hoje é uma uva praticamente só cultivada no Chile, onde
não se adaptou melhor do que na França. Até a década de 90 era confundida com a
merlot - um exame de DNA esclareceu a confusão. É usada tanto para vinhos de
corte como em varietais chilenos. É mais escura que a merlot e de taninos
macios.
• Cinsault (espagne,
hermitage, malaga): cepa encontrada principalmente na região de Languedoc-Roussilon,
na França. Ali é associada à grenache e à carignan, e produz bebidas leves e
pouco aromáticas. Na região do Rhone, a mesma uva com melhores cuidados produz
vinhos mais concentrados e aromáticos. No Líbano, é responsável pelo emblemático
ChâteauMusar.
• Dolcetto: uva
italiana que apesar do nome não é doce. Vinificadas resultam em rótulos suaves
do Piemonte, próprio para o dia-a-dia, com alta acidez e que devem ser bebidos
ainda jovens. Na região do Piemonte, melhor tratada, a uva é envelhecida em
barris de carvalho e resulta em líquidos mais ricos e complexos.
• Gamay: é a uva
usada na produção do Beaujolais, um vinho mais leve, produzido nesta região da
Borgonha, para ser bebido bem jovem. Os rótulos mais conhecidos são de
BeaujolaisNoveau, que são lançados todo mês novembro. Mas há rótulos de maior
qualidade, com capacidade de envelhecimento, os chamados Crubeaujolais. Os
aromas de morango, cereja e banana são característicos do vinho produzido com a
uva gammay.
• Grenache
(garnacha): apesar de ser uma uva muito cultivada no mundo é pouco vista em
rótulos de garrafas, pois é usualmente misturada. É presença fundamental do
renomado Châteauneuf-du-Pape e na maioria dos vinhos do Rhône.
• Lambrusco: uva
tinta cultivada em toda a Itália, em especial na região da Emilia-Romana. Há
mais de sessenta subvariedades conhecidas. Apesar de também produzir bons
vinhos de denominação de origem, é mais conhecida no Brasil pelos vinhos
frisantes, semi-doces e baixo teor alcoólico e que devem ser bebidos jovens.
• Malbec: originária
de Bordeaux, onde é muito tânica, e usada somente misturada a outras cepas,
esta uva se tornou emblemática na Argentina, onde é responsável pelos melhores
vinhos tintos produzidos no país, de cor escura, denso e aromas florais. Começa
a render alguns rótulos no Chile também.
• Merlot: similar à
cabernetsauvignon, entretanto mais suave, tem sabor mais macio, menos tanino e
aromas mais frutados. Tem uma maturação mais fácil e rápida que sua parceira
cabernet. Pode desenvolver aromas de chocolate e frutas vermelhas maduras
quando colhidas com a maturação correta. Base de grandes vinhos do Pomerol,
como o famoso ChâteauPetrus. Na Califórnia, nos Estados Unidos, também rendeu
grandes exemplares. Também muito usada no Novo Mundo e plantada em várias
partes do planeta onde se faz vinho.
• Montepulciano:
variedade cultivada por toda Itália, com maior destaque na região central.
Produz vinhos mais rústicos e é muito usada junto à sangiovese. Não deve ser
confundida com a cidade da região da Toscana de mesmo nome, que produz o famoso
VinoNobildiMontepulciano, que, aliás, é feito a partir da uva sangiovese.
• Mourvèdre
(monastrell e mataro): uva típica do Sul da França, mas também muito cultivada
na Espanha. É um pouco tânica e tem um toque animal. Geralmente é misturada a
outras uvas, como shyrah, grenache e cinsault. Ajuda a dar cor e estrutura ao
vinho. Bastante utilizada na Provence, na França, e na Rioja e Penedès, na
Espanha.
• Nebbiolo: nebbia em
italiano significa névoa, uma característica do clima da região onde esta
variedade é cultivada, nos montes de Alba e Monforte. Resulta no nome da uva
que produz os melhores e mais valorizados tintos italianos: Barolo e o
Barbaresco. São bebidas intensas, frutadas, bastante tânicas, de aromas
complexos (florais, frutas, trufas e até piche!) e com alta acidez, o que torna
obrigatório o envelhecimento em barris de carvalho para aparar as arestas.
Melhora com os anos e acompanhado de um prato de comida mais forte.
• Nero d'Avola: cepa
típica da região de Sícilia, no Sul da Itália. Produz vinhos de qualidade,
escuros, densos e com potencial de envelhecimento.
• Periquita (castelão
português, castelão francês): plantada no sul de Portugal, dá vinhos de boa
estrutura, que envelhecem bem; é também a marca do popular tinto lusitano mais
exportado para o Brasil.
• Petit verdot:
variedade típica da região de Bordeaux, na França. Dá sabor, cor e taninos ao
corte bordalês.
• PinotNoir
(pinotnero): uva típica da Borgonha, produz os vinhos mais admirados pelos
enólogos e enófilos do mundo. Sua qualidade está ligada diretamente ao terroir
onde está plantada. É uma uva de difícil de cultivar e vinificar e pode gerar
tanto tintos inexpressivos como muito complexos. São vinhos de coloração clara
para média com relativo baixo tanino e acidez. Os grandes pinotnoirs têm aroma
intenso, complexo e sensual, e evoluem muito bem na garrafa. Os exemplos mais
clássicos são os renomados (e caros) vinhos de Romanée-Conti, Volnay, Clos de
Vougeat e outros tantos da Borgonha. Menos feliz em outras regiões do mundo,
tem apresentado algum sucesso no Chile com preços bem mais acessíveis. A pinotnoir
também faz parte da receita que compõem os vinhos da Champagne.
• Pinotage: uva
criada da África do Sul, surgida em 1920, do cruzamento entre a pinotnoir e a
cinsautrealiazada pelo professor Perald. Pode resultar num vinho muito frutado
(banana, frutas vermelhas) e capaz de envelhecer bem em barris de carvalho. Os
exemplares mais simples lembram borracha queimada e são muito rústicos.
• Sangiovese:
trata-se da variedade mais plantada na Itália, é à base dos grandes vinhos da
Toscana - Chianti, BrunellodiMontalcino e VinoNobilo de Montpulciano. O nome
significa o sangue de Júpiter. É uma cepa de amadurecimento tardio, bem ácida,
tânica e frutada.
• Syrah/Shiraz: uva
do Rhone, na França, que resulta vinhos de coloração intensa, bem encorpados e
aromáticos e na boca evoca frutas vermelhas (amoras). Na Austrália, com o nome
de Shiraz, dá exemplares tânicos, apimentado e de boa maturação. É responsável
pelos grandes rótulos deste país.
• Tannat (mandiran):
uva do sudoeste da França, hoje é a variedade emblemática do Uruguai, altamente
tânica e com perfume de amora e framboesa. Bons produtores têm domado o tannat
no Uruguai e bons rótulos têm surgido no mercado.
• Tempranillo (tinto
fino, cencibel, tinta roriz aragonês): a mais importante uva de qualidade da
Espanha, cultivada nas regiões de Rioja e Ribeira delDuero. Usualmente
misturada à garnacha e mazuelo. Dá um vinho colorido, com baixa acidez, pouco
tânico e que envelhece bem no carvalho que lhe confere aromas de tabaco.
• Touriga Frances:
mais leve que a touriga nacional, também é parte da receita do vinho do Porto.
Usado ainda em tintos secos de mesa da região do Porto.
• Touriga Nacional:
uva autócne superior, presente em vinhos portugueses; encorpado, de cor forte,
sabor intenso e muito tânico é típico da região do Douro. Usada na receita do
vinho do Porto, também é uma uva que produz varietais com muita tipicidade.
• Zinfandel
(primitivo) - Produz tintos secos com muito colorido e frutado, com notas de
pimenta e sabor que lembra groselha preta. Uva característica dos vinhos da
Califórnia, apesar de ser originária do sul da Itália, onde tem o nome de
primitivo.
Já para os vinhos
brancos, as principais uvas são:
• Alvarinho (ou
Albariño, na Espanha): responsável pela produção na região do Minho, em
Portugal, do vinho verde, que tem este nome, pois deve ser tomado ainda jovem,
isto é "verde". É uma uva que confere boa acidez, aroma e certa
efervescência ao vinho.
• Chardonnay: uva
branca fácil de cultivar e vinificar. Está espalhada em todo o mundo. É usada
na produção de clássicos de alta qualidade e reputação na Borgonha, como
Chablis, Montrachet e Poully-Fussé, além de ser um importante ingrediente do
champanhe. Por não ser uma uva aromática, a passagem pelo barril de carvalho
lhe confere maior complexidade em algumas regiões, principalmente do Novo
Mundo, onde mostra um toque amanteigado e tostado.
• Chenin Blanc
(steen): variedade do Loire central, na França, de aroma floral, dá vinhos
secos ou doces - neste caso, quando são atacadas pela podridão nobre, que lhes
confere maior teor de açúcar.
• Clairette
(clairetteblanc): uva branca cultivada no sul da França. É uma das variedades
autorizadas no vinho tinto Châteauneuf-du-pape e brancos Côtes-du-Rhone. Na
Austrália é conhecida como blanquette.
• Furmint: os
renomados grandes vinhos doces Tokay, da Hungria, são feitos desta variedade.
Sua fina casca facilita a ação do fungo Botrytiscinerea, que aumenta o teor de
açúcar à uva.
• Gewürztraminer: em
alemão significa "especiarias". Produz vinhos brancos ricos, de cor
amarelo-ouro e aroma intenso (rosas, canela e gengibre). Encontrou seu melhor
solo na região francesa da Alsácia, mas também é encontrada na Alemanha e
outras regiões de clima frio.
• Malvasia: uma das
mais antigas uvas brancas que se conhece (cerca de 2.000 anos). Apesar de
produzir vinhos secos no sul da Itália, se notabilizou pelo vinho fortificado
que produz em Portugal (Madeira).
• Muscadelle: típica
variedade de Bordeaux, na França, usada principalmente para vinhos doces
produzidos em Barsac e Sauternes. Como é muito aromático, é usado em pequenas
quantidades quando misturados a vinhos doces baseados das uvas sémillon e
sauvignon Blanc.
• Muscat (Moscato e
Moscatel) - plantada no mundo todo é própria de vinhos doces perfumados. É a
única uva vinífera que preserva os aromas de uva no vinho e talvez uma das
espécies mais antigas ainda cultivadas. Usada para vinhos secos na Alsásia e
para espumantes do tipo Asti Espumante e Moscato Bianco.
• Palomino: principal
uva do vinho fortificado do Sul da Espanha, xerez.
• Pedro Ximenez: outra
variedade do sul da Espanha utilizada nos vinhos fortificados xerez, como o
Olorosso.
• Pinot Blanc
(pinotbianco): esta uva dá vinhos leves, secos, frutados, para beber jovem,
principalmente aqueles produzidos na Itália. Original da Borgonha, na França
sua base é a Alsácia.
• Pinot Gris (tokay
d'Alsace, pinotgrigio): da família pinotnoir, resulta em vinhos brancos leves,
jovens e secos na Itália e mais ricos e perfumados, na região francesa da
Alsácia.
• Prosecco:
encontrada na região de Vêneto, na Itália, é responsável pela produção de
espumantes frescos, frutados, com pouco acidez e paladar. Não se trata,
portanto, de uma região, como muita gente pensa, mas de uma uva, usada por este
espumante que se difundiu por todo o mundo.
• Riesling: junto com
a Chardonnay é considerada a melhor uva branca do mundo. Produz vinhos com
acidez elevada e teor alcoólico baixo (8ºC). Os melhores riesling são
encontrados na Alemanha e produz vinhos de grande qualidade que é metido pelo
seu teor de açúcar. Aromas delicados e florais.
• Sauvignon Blanc:
têm acidez aguda, fresco, aspectos minerais e bastante frutados no Novo Mundo.
Mantém a limpidez, pois raramente fica impregnada de carvalho. Na França,
alcança melhores resultados em rótulos da região do Loire. É misturada com
Sémillon em Bordeaux. Também é parte da composição dos vinhos doces de
Sauternes e Barsac. Na Nova Zelândia, encontrou o solo ideal para produção de
vinhos que colocaram o país no mapa do mundo do vinho.
• Sémillon: tanto
vinhos brancos secos de Bourdeaux como vinhos doces da região de Sauternes, na
França, usam esta variedade (como o ChâteauD'Yquem, 4/5 de sémillon e 1/5 de
sauvignonblanc). Varia sua característica de acordo com a região que é
cultivada: aromas cítricos e adocicado em Bordeaux e amanteigado e com grande
potencial de envelhecimento na Austrália.
• Tocai (friulano):
variedade branca cultivada na região italiana de Friuli-Veneza, que produz
vinhos encorpados e elegantes. Não há qualquer relação da uva Tocai com os
renomados vinhos húngaros doces Tokay (produzidos com a cepa furmint).
• Trebbiano: produz
vinhos brancos mais comuns e sem personalidade na Itália. É plantada
extensivamente em todo o país. Usada no corte com outras uvas para a composição
de vinhos. Com o nome de ugniblanc e Saint-émilion é muito usada na produção de
conhaque e armagnac, na França.
• Viognier: uva que
produz vinhos brancos secos e com toques florais, bastante perfumados. De
origem francesa, vem sendo redescoberta nos últimos anos. Produz vinhos muito
ricos e refrescantes, para serem bebidos jovens.
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