quinta-feira, 4 de junho de 2015

Como montar uma adega - PARTE 4

PESSOAL




O fator humano é fundamental para o sucesso de uma adega. Contar com profissionais qualificados e comprometidos deve estar no topo da lista de prioridades do empreendedor.

O número de funcionários da adega vai variar de acordo com seu o tamanho. Em geral, uma pequena adega pode contar com dois vendedores e um sommelier, além do gerente. Suas atribuições são:

• Gerente: responsável pelas atividades administrativas, financeiras, de controle de estoque e da comercialização. Deve ter conhecimento da gestão do negócio, do processo produtivo e do mercado de vinhos.

• Sommelier: Entre as funções e atividades exercidas, o sommelier deve participar no planejamento e na organização de todas as etapas do consumo do vinho, decidindo as quantidades e qualidades a serem adquiridas, cuidando das condições ideais de armazenamento em adegas e prateleiras até o trabalho no salão, interagindo com o consumidor no planejamento da carta e no momento do serviço, aconselhando e informando sobre as características do produto, sugerindo harmonizações com pratos e demais artigos gastronômicos, tirando dúvidas e resolvendo reclamações de clientes. O exercício do ensino sobre a bebida também está entre as atribuições.

A Lei nº 12.467/2011, dispõe sobre a regulamentação do exercício da profissão de Sommelier.

• Vendedor: responsável pelo atendimento aos clientes e venda dos produtos. Suas principais qualidades devem ser:

o Conhecer em profundidade os produtos oferecidos;

o Entender as necessidades dos clientes;

o Conhecer a cultura e o funcionamento da empresa;

o Conhecer as tendências do mercado;

o Desenvolver relacionamentos duradouros com os clientes;

o Transmitir confiabilidade e carisma;

o Atualizar-se sobre as novidades do segmento;

o Zelar pelo bom atendimento após a compra.

Normalmente, a adega funciona em horário comercial das 9h às 18 h. Adegas situadas em shopping centers seguem o horário do centro comercial, normalmente das 10 às 22 h. Sábados e domingos são dias de grande faturamento. Dependendo do movimento e da época do ano, pode ser necessária a ampliação do horário de funcionamento, exigindo a contratação temporária de mais vendedores. Esta expansão do negócio precisa ser planejada conforme o aumento do faturamento.

O atendimento é um item que merece uma atenção especial do empresário, visto que, nesse segmento de negócio, os clientes satisfeitos ajudam na divulgação da adega para novos clientes. Além disso, o consumidor de vinho no Brasil tem dificuldade de fazer a distinção entre os produtos e não sabe diferenciá-los corretamente. A qualificação de profissionais também aumenta o comprometimento com a empresa, eleva o nível de retenção de funcionários, melhora a performance do negócio e diminui os custos trabalhistas com a rotatividade de pessoal.

O empreendedor pode participar de seminários, congressos e cursos direcionados ao seu ramo de negócio, para manter-se atualizado e sintonizado com as tendências do setor. Estes cursos são oferecidos pelos fornecedores e associações especializadas (vide tópico Entidades em Geral).

O treinamento dos funcionários deve desenvolver as seguintes competências:

• Capacidade de percepção para entender e atender as expectativas dos clientes;

• Agilidade e presteza no atendimento;

• Capacidade de apresentar e vender os produtos da adega;

• Motivação para crescer juntamente com o negócio.

Deve-se estar atento para a Convenção Coletiva do Sindicato dos Trabalhadores nessa área, utilizando-a como balizadora dos salários e orientadora das relações trabalhistas, evitando, assim, conseqüências desagradáveis.


Equipamentos






Os equipamentos mais importantes para uma adega são os responsáveis pela climatização do estoque de vinhos. Calculam-se quantas pessoas devem circular na adega e com qual freqüência, qual o isolamento das paredes, quantas garrafas a adega irá comportar e se haverá alguma fonte de calor (como computadores e miniadegas, por exemplo). Posteriormente, é possível saber qual a potência necessária para o condensador e evaporador garantirem a temperatura e a umidade ideais para a conservação das garrafas.

Antes de comprar os equipamentos, é recomendável fazer um pequeno projeto de layout da loja com a disposição dos equipamentos. Nesse momento, o empreendedor deverá ter definido o mix de produtos da adega, deverá saber qual a quantidade de garrafas vai trabalhar e como será a exposição dos produtos nos móveis, gôndolas e/ou prateleiras.

Ao definir os equipamentos de uma adega, o empreendedor deve levar em consideração, os seguintes cuidados com as garrafas de vinho:

-Posição: As garrafas devem estar sempre na posição horizontal ou levemente inclinadas para baixo, para que a rolha esteja sempre irrigada pelo vinho mantendo – se dilatada e ajudando em sua conservação e;

-Disposição: Vinhos brancos e jovens são guardados em baixo, à uma temperatura inferior. Já os vinhos tintos são armazenados em cima. Vinhos generosos e licorosos devem ser guardados em pé.

Profissionais qualificados (arquitetos, engenheiros, decoradores) poderão ajudar a definir as alterações a serem feitas no imóvel escolhido para funcionamento da adega, orientando em questões sobre ergometria, fluxo de operação, design dos móveis, iluminação, ventilação, etc.

Segue abaixo algumas opções de fornecedores de equipamentos:

1 – NSF Indústria

Rua Eduardo Gobato, nr. 183 Quadra 12 CEAT

Cidade : São Carlos – SP

Cep : 13.573-440

Site: www.nsf.ind.br

Telefone : ( 16 ) 3377-9700

2 – Gôndola

Avenida Cesário Alvim, nr. 2686

Cidade :Uberlândia – MG

Cep : 38.400-694

Site: www.gondola.com.br

Telefone : ( 34 ) 3211-0090 / ( 34 ) 9103-7510

3 – FastGôndolas e Checkouts

Av. Esperanto, 765 – Cilo II

Cidade :Londrina – PR

Cep : 86.067-100

Site: www.fastgondolas.com.br

Telefone : ( 43 ) 3373-9000

Ao comprar os equipamentos, o empreendedor deve ficar atento quanto à garantia e assistência técnica por parte dos fornecedores, uma vez que a adega climatizada precisará de manutenção preventiva ou corretiva.

À seguir, veja algumas situações que causam mau funcionamento de uma adega climatizada e possíveis soluções.

•A adega não funciona - Verifique se falta energia elétrica, se o plugue está conectado à tomada e se o fusível não se encontra queimado.

•A adega está refrigerando excessivamente- O botão de controle de temperatura pode ter sido ajustado para um ponto baixo de temperatura ou se for colocado algum objeto diretamente sob as saídas de ar frio, elas poderão se congelar facilmente. Isso não indica um mau funcionamento.

•A adeganão está refrigerando suficientemente– Verifique se foi colocado algo quente ou vários objetos na adega, se a porta pode não ter sido fechada adequadamente, se a adega pode não estar bem ventilada, se a distância entre a adega e as superfícies em ambos os lados e acima pode ser insuficiente, se o botão de controle da temperatura não foi sido ajustado adequadamente.

•A água em degelo escorre de dentro da adega até o chão - Verifique se o tubo de drenagem e o orifício de drenagem não se encontram obstruídos, ou se o coletor de drenagem está alojado adequadamente.

•O gabinete frontal da adega está aquecido - Visando a proteção contra condensação, há um tubo anti-condensação que aquece a frente do gabinete quando estiver em funcionamento. Um gabinete frontal quente não indica um mau funcionamento.

•Existe condensação do lado de fora da adega - Condensação pode formar-se do lado de fora quando a umidade estiver alta durante uma estação úmida, por exemplo. O resultado é o mesmo da condensação formada quando água resfriada é colocada em um copo. Isso, no entanto, não configura um defeito. Limpe o vidro com um pano seco.

•A adega emite um som de água fluindo - Um som semelhante ao de água fluindo é o som da sua adega funcionando e não indica um mau funcionamento.

•O painel lateral do gabinete está aquecido- O painel lateral do gabinete irá esquentar quando a porta for aberta e fechada com freqüência. Também, quando você ligar a unidade e quando esta operar no verão com alta temperatura-ambiente externa. Em uma situação assim, não toque o painel. Esta temperatura elevada resulta da dissipação do calor do interior do gabinete e não significa que há algo errado com a sua adega.

Matéria Prima/Mercadoria







A gestão de estoques no varejo é a procura do constante equilíbrio entre a oferta e a demanda. Este equilíbrio deve ser sistematicamente aferido através de, entre outros, os seguintes três importantes indicadores de desempenho:

-Giro dos estoques: o giro dos estoques é um indicador do número de vezes em que o capital investido em estoques é recuperado através das vendas. Usualmente é medido em base anual e tem a característica de representar o que aconteceu no passado. Observação: Quanto maior for a freqüência de entregas dos fornecedores, logicamente em menores lotes, maior será o índice de giro dos estoques, também chamado de índice de rotação de estoques.

-Cobertura dos estoques: o índice de cobertura dos estoques é a indicação do período de tempo que o estoque, em determinado momento, consegue cobrir as vendas futuras, sem que haja suprimento.

-Nível de serviço ao cliente: o indicador de nível de serviço ao cliente para o ambiente do varejo de pronta entrega, isto é, aquele segmento de negócio em que o cliente quer receber a mercadoria, ou serviço, imediatamente após a escolha; demonstra o número de oportunidades de venda que podem ter sido perdidas, pelo fato de não existir a mercadoria em estoque ou não se poder executar o serviço com prontidão.

Portanto, o estoque dos produtos deve ser mínimo, visando gerar o menor impacto na alocação de capital de giro. O estoque mínimo deve ser calculado levando-se em conta o número de dias entre o pedido de compra e a entrega dos produtos na sede da empresa.

O estoque de mercadorias é muito importante para o sucesso de uma adega. O empreendedor deve conhecer o perfil de sua clientela e vender vinhos que atendam ao seu poder aquisitivo e satisfaçam os seus desejos de consumo.

Importante: Um dos pilares do processo de gestão de estoques em uma adega é a realização de inventários, que significa verificar se o estoque físico é igual ao estoque informado nos sistemas de controle periodicamente. Esta ferramenta possibilita o diagnóstico de problemas e auxilia a implementaçãode soluções com maior assertividade. Este procedimento é capaz de identificar problemas como:

•Rupturas: produtos armazenados no depósito, mas não expostos nas gôndolas;

•Estoques negativos: produtos inexistentes que por um erro de contagem ou digitação na entrada do produto constam como “existentes”;

•Perdas de produtos por avarias;

•Perdas de produtos por fraudes;

•Roubos ou extravios de produtos;

•Falhas no processo de entrada e saída de Notas Fiscais: produtos que foram registrados errados em uma movimentação de entrada ou saídae

•Identificação de produtos vencidos.

No processo de fermentação do vinho, formam-se várias substâncias naturais que diferenciam um vinho do outro. O gosto do vinho é determinado por uma série de fatores como: o estado de maturação da uva, tipo de uva utilizada e o grau de amadurecimento e envelhecimento do vinho.Os vinhos tintos mais encorpados podem ser conservados a 17° C, para não perder a expressão aromática e evitar ressaltar os taninos. Já os brancos podem ser apreciados numa temperatura de 10ºC a 12ºC.Os menos encorpados podem ser conservados a 13° C e o vinho do Porto a 15° C. Já para os tintos de mesa, a temperatura deve ser mais alta, por volta de 18 ° C.

Existem cinco tipos distintos de vinhos:

• Tinto: obtido através de uvas tintas ou das tintureiras (aquelas em que a polpa também possui pigmentos);

• Branco: obtido através de uvas brancas ou de uvas tintas, desde que as cascas não entrem em contato com o mostoe que essas não sejam tintureiras;

• Rosé: obtido através da mistura de vinho tinto com branco ou diminuindo o tempo de maceração (contato do mosto com as cascas) da vinificação do vinho tinto;

• Espumante: passa por uma fermentação alcoólica na garrafa (chamado de método tradicional ou champenoise) ou em autoclave (tanque isobarométrico), também chamado de charmat. Ambas as formas de vinificação fazem a fermentação em recipiente fechado, incorporando CO2 ao líquido para produzir borbulhas, ou pérlage;

• Fortificado: vinho em que a fermentação alcoólica é interrompida pela adição de aguardente. De acordo com o momento de interrupção e da uva que está sendo utilizada, ficará mais ou menos doce. O grau alcoólico final dos vinhos fortificados fica entre 19-22% vol. Os mais famosos são o vinho do Porto (Portugal), vinho da Madeira (Portugal), Xerez (Espanha) e Marsala (Sicília).

Os vinhos podem receber outras classificações. Quanto à classe, podem ser:

• De mesa: com graduação alcoólica de 10° a 13°.

• Finos ou nobres: produzidos somente de uvas viníferas.

• Comuns: produzidos com variedades híbridas ou americanas.

• Especiais: vinhos mistos, produzidos de variedades viníferas e uvas híbridas ou americanas.

• Frisantes: com gaseificação mínima de meia atmosfera e máxima de duas atmosferas.

• Leve: graduação alcoólica de 7° a 9,9° GL, elaborado sempre com uvas viníferas.

• Espumante: resultante unicamente de uma segunda fermentação alcoólica, resultando em borbulhas – graduação alcoólica de 10° a 13° GL.

• Licoroso: graduação alcoólica de 14° a 18°, adicionado ou não de álcool potável, caramelo, concentrado de mosto e sacarose.

• Composto ou Fortificado: graduação alcoólica de 15° a 18°, obtida pela adição de plantas amargas ou aromáticas ou substâncias de origem mineral ou animal.

Quanto à cor, podem ser

•Tinto: produzido a partir de variedades de uvas tintas, com longo contato com a casca da fruta. A diferença de tonalidade depende de tipo de fruto, do tempo e do método de envelhecimento.

•Branco: produzido em sua maioria, a partir de uvas brancas. Quando produto de uvas tintas, a fermentação é feita com a ausência das cascas.

•Rosado, rosé ou clarete: com aparencia intermediaria pode ser produzido de duas formas:

•De uvas tintas: com breve contato com as cascas que dão a pigmentação ao vinho, que após são separadas.

•Por corte: obtém-se pela mistura, de um vinho branco com um vinho tinto.

Quanto ao teor de açúcar, podem ser:

• Brut-nature: sem adição de açúcar;

• Extra-brut: de 0 a 6 g/l;

• Brut: de 6 a 15 g/l;

• Extra-seco: entre 12 e 20 g/l;

• Seco ou dry: entre 17 e 35 g/l;

• Meio doce, meio seco ou demi-sec: entre 33 e 50 g/l;

• Doce: mais de 50 g/l.

As principais uvas para vinhos tintos são:







• Aglianico: apresenta grande concentração de taninos e acidez, própria para envelhecimento. Encontrada no Sul da Itália, principalmente em rótulos de Campania e Basilicata.

• AlicanteBouschet (garnachatintorera): fruto do cruzamento da grenache com petitverdot realizado pelo francês LuisBouschet de Bernard e seu filho Henri em 1866, esta variedade é mais indicada quando misturada a outras uvas. Em Portugal, na região do Alentejo, é uma importante uva na composição de certos vinhos, onde dá um dá aromas de menta e eucalipto. Confere longevidade e cor ao vinho.

• Baga: é a principal uva da região portuguesa da Bairrada e produz vinhos bastante adstringentes. Mas bons produtores, como Luis Pato, vinificam exemplares refinados e ricos de aroma e sabor.

• Barbera: a mais popular das uvas do Piemonte, norte da Itália é ao lado da sangiovese a variedade mais cultivada do país. Dá tantos vinhos leves do dia-a-dia como exemplares escuros e frutados, com alta acidez e concentração e boa capacidade de envelhecimento.

• Bonarda: outra variedade típica do Piemonte, na Itália. Seu nome completo é BonardaPiemontese. Produz vinhos leves, frutados, melhor quando bebidos jovens. Também foi muito utilizada na Argentina para produção de vinhos do dia-a-dia para consumo interno.

• Cabernet Franc: terceira uva tinta mais importante de Bordeaux, depois da Pommerol e Saint Emilion, é mais leve e com menos taninos que a cabernetsauvignon e amadurece mais cedo. É muito usada no corte com outras uvas. Na região do Loire dá vinhos mais herbáceos, onde é conhecida como Breton. É a uva principal do insensado e caro ChâteauCheval Blanc.

• Cabernet Sauvignon: a mais clássica e conhecida das variedades de vitis vinífera, base do corte usado nos grandes vinhos de Bordeaux (Latour, Mouton-Rothshild, Lafite, Latour, Margouxetc). É uva mais difundida em todo o mundo e responsável pelos melhores rótulos do planeta. Tem amadurecimento tardio e produz tintos secos de semi-incorpados a incorpados; tânico quando jovem, garante um melhor envelhecimento da bebida na garrafa e a passagem pelo barril de carvalho pode aparar suas arestas. Tem um amplo espectro de aromas: frutas vermelhas, café, chocolate geléia e tabaco, quando envelhecidos. No Chile tem uma característica mais mentolada. Enriquece quando misturada à merlot, cabernetfranc, Shiraz, petitverdot ou malbec. Na Austrália geralmente é mesclado ao Shiraz. Produz os melhores tintos do Brasil e do Chile.

• Carignan (cariñena, mazuelo): originária do norte da Espanha é das espécies mais cultivadas na França, particularmente na região de Languedoc-Roussillon. Normalmente é misturada com a grenache e a cinsault, e resulta em vinhos mais comuns, de mesa, de cor escura e forte teor de álcool.

• Carmenère: originária de Bordeaux, hoje é uma uva praticamente só cultivada no Chile, onde não se adaptou melhor do que na França. Até a década de 90 era confundida com a merlot - um exame de DNA esclareceu a confusão. É usada tanto para vinhos de corte como em varietais chilenos. É mais escura que a merlot e de taninos macios.

• Cinsault (espagne, hermitage, malaga): cepa encontrada principalmente na região de Languedoc-Roussilon, na França. Ali é associada à grenache e à carignan, e produz bebidas leves e pouco aromáticas. Na região do Rhone, a mesma uva com melhores cuidados produz vinhos mais concentrados e aromáticos. No Líbano, é responsável pelo emblemático ChâteauMusar.

• Dolcetto: uva italiana que apesar do nome não é doce. Vinificadas resultam em rótulos suaves do Piemonte, próprio para o dia-a-dia, com alta acidez e que devem ser bebidos ainda jovens. Na região do Piemonte, melhor tratada, a uva é envelhecida em barris de carvalho e resulta em líquidos mais ricos e complexos.

• Gamay: é a uva usada na produção do Beaujolais, um vinho mais leve, produzido nesta região da Borgonha, para ser bebido bem jovem. Os rótulos mais conhecidos são de BeaujolaisNoveau, que são lançados todo mês novembro. Mas há rótulos de maior qualidade, com capacidade de envelhecimento, os chamados Crubeaujolais. Os aromas de morango, cereja e banana são característicos do vinho produzido com a uva gammay.

• Grenache (garnacha): apesar de ser uma uva muito cultivada no mundo é pouco vista em rótulos de garrafas, pois é usualmente misturada. É presença fundamental do renomado Châteauneuf-du-Pape e na maioria dos vinhos do Rhône.

• Lambrusco: uva tinta cultivada em toda a Itália, em especial na região da Emilia-Romana. Há mais de sessenta subvariedades conhecidas. Apesar de também produzir bons vinhos de denominação de origem, é mais conhecida no Brasil pelos vinhos frisantes, semi-doces e baixo teor alcoólico e que devem ser bebidos jovens.

• Malbec: originária de Bordeaux, onde é muito tânica, e usada somente misturada a outras cepas, esta uva se tornou emblemática na Argentina, onde é responsável pelos melhores vinhos tintos produzidos no país, de cor escura, denso e aromas florais. Começa a render alguns rótulos no Chile também.

• Merlot: similar à cabernetsauvignon, entretanto mais suave, tem sabor mais macio, menos tanino e aromas mais frutados. Tem uma maturação mais fácil e rápida que sua parceira cabernet. Pode desenvolver aromas de chocolate e frutas vermelhas maduras quando colhidas com a maturação correta. Base de grandes vinhos do Pomerol, como o famoso ChâteauPetrus. Na Califórnia, nos Estados Unidos, também rendeu grandes exemplares. Também muito usada no Novo Mundo e plantada em várias partes do planeta onde se faz vinho.

• Montepulciano: variedade cultivada por toda Itália, com maior destaque na região central. Produz vinhos mais rústicos e é muito usada junto à sangiovese. Não deve ser confundida com a cidade da região da Toscana de mesmo nome, que produz o famoso VinoNobildiMontepulciano, que, aliás, é feito a partir da uva sangiovese.

• Mourvèdre (monastrell e mataro): uva típica do Sul da França, mas também muito cultivada na Espanha. É um pouco tânica e tem um toque animal. Geralmente é misturada a outras uvas, como shyrah, grenache e cinsault. Ajuda a dar cor e estrutura ao vinho. Bastante utilizada na Provence, na França, e na Rioja e Penedès, na Espanha.

• Nebbiolo: nebbia em italiano significa névoa, uma característica do clima da região onde esta variedade é cultivada, nos montes de Alba e Monforte. Resulta no nome da uva que produz os melhores e mais valorizados tintos italianos: Barolo e o Barbaresco. São bebidas intensas, frutadas, bastante tânicas, de aromas complexos (florais, frutas, trufas e até piche!) e com alta acidez, o que torna obrigatório o envelhecimento em barris de carvalho para aparar as arestas. Melhora com os anos e acompanhado de um prato de comida mais forte.

• Nero d'Avola: cepa típica da região de Sícilia, no Sul da Itália. Produz vinhos de qualidade, escuros, densos e com potencial de envelhecimento.

• Periquita (castelão português, castelão francês): plantada no sul de Portugal, dá vinhos de boa estrutura, que envelhecem bem; é também a marca do popular tinto lusitano mais exportado para o Brasil.

• Petit verdot: variedade típica da região de Bordeaux, na França. Dá sabor, cor e taninos ao corte bordalês.

• PinotNoir (pinotnero): uva típica da Borgonha, produz os vinhos mais admirados pelos enólogos e enófilos do mundo. Sua qualidade está ligada diretamente ao terroir onde está plantada. É uma uva de difícil de cultivar e vinificar e pode gerar tanto tintos inexpressivos como muito complexos. São vinhos de coloração clara para média com relativo baixo tanino e acidez. Os grandes pinotnoirs têm aroma intenso, complexo e sensual, e evoluem muito bem na garrafa. Os exemplos mais clássicos são os renomados (e caros) vinhos de Romanée-Conti, Volnay, Clos de Vougeat e outros tantos da Borgonha. Menos feliz em outras regiões do mundo, tem apresentado algum sucesso no Chile com preços bem mais acessíveis. A pinotnoir também faz parte da receita que compõem os vinhos da Champagne.

• Pinotage: uva criada da África do Sul, surgida em 1920, do cruzamento entre a pinotnoir e a cinsautrealiazada pelo professor Perald. Pode resultar num vinho muito frutado (banana, frutas vermelhas) e capaz de envelhecer bem em barris de carvalho. Os exemplares mais simples lembram borracha queimada e são muito rústicos.

• Sangiovese: trata-se da variedade mais plantada na Itália, é à base dos grandes vinhos da Toscana - Chianti, BrunellodiMontalcino e VinoNobilo de Montpulciano. O nome significa o sangue de Júpiter. É uma cepa de amadurecimento tardio, bem ácida, tânica e frutada.

• Syrah/Shiraz: uva do Rhone, na França, que resulta vinhos de coloração intensa, bem encorpados e aromáticos e na boca evoca frutas vermelhas (amoras). Na Austrália, com o nome de Shiraz, dá exemplares tânicos, apimentado e de boa maturação. É responsável pelos grandes rótulos deste país.

• Tannat (mandiran): uva do sudoeste da França, hoje é a variedade emblemática do Uruguai, altamente tânica e com perfume de amora e framboesa. Bons produtores têm domado o tannat no Uruguai e bons rótulos têm surgido no mercado.

• Tempranillo (tinto fino, cencibel, tinta roriz aragonês): a mais importante uva de qualidade da Espanha, cultivada nas regiões de Rioja e Ribeira delDuero. Usualmente misturada à garnacha e mazuelo. Dá um vinho colorido, com baixa acidez, pouco tânico e que envelhece bem no carvalho que lhe confere aromas de tabaco.

• Touriga Frances: mais leve que a touriga nacional, também é parte da receita do vinho do Porto. Usado ainda em tintos secos de mesa da região do Porto.

• Touriga Nacional: uva autócne superior, presente em vinhos portugueses; encorpado, de cor forte, sabor intenso e muito tânico é típico da região do Douro. Usada na receita do vinho do Porto, também é uma uva que produz varietais com muita tipicidade.

• Zinfandel (primitivo) - Produz tintos secos com muito colorido e frutado, com notas de pimenta e sabor que lembra groselha preta. Uva característica dos vinhos da Califórnia, apesar de ser originária do sul da Itália, onde tem o nome de primitivo.

Já para os vinhos brancos, as principais uvas são:

• Alvarinho (ou Albariño, na Espanha): responsável pela produção na região do Minho, em Portugal, do vinho verde, que tem este nome, pois deve ser tomado ainda jovem, isto é "verde". É uma uva que confere boa acidez, aroma e certa efervescência ao vinho.

• Chardonnay: uva branca fácil de cultivar e vinificar. Está espalhada em todo o mundo. É usada na produção de clássicos de alta qualidade e reputação na Borgonha, como Chablis, Montrachet e Poully-Fussé, além de ser um importante ingrediente do champanhe. Por não ser uma uva aromática, a passagem pelo barril de carvalho lhe confere maior complexidade em algumas regiões, principalmente do Novo Mundo, onde mostra um toque amanteigado e tostado.

• Chenin Blanc (steen): variedade do Loire central, na França, de aroma floral, dá vinhos secos ou doces - neste caso, quando são atacadas pela podridão nobre, que lhes confere maior teor de açúcar.

• Clairette (clairetteblanc): uva branca cultivada no sul da França. É uma das variedades autorizadas no vinho tinto Châteauneuf-du-pape e brancos Côtes-du-Rhone. Na Austrália é conhecida como blanquette.

• Furmint: os renomados grandes vinhos doces Tokay, da Hungria, são feitos desta variedade. Sua fina casca facilita a ação do fungo Botrytiscinerea, que aumenta o teor de açúcar à uva.

• Gewürztraminer: em alemão significa "especiarias". Produz vinhos brancos ricos, de cor amarelo-ouro e aroma intenso (rosas, canela e gengibre). Encontrou seu melhor solo na região francesa da Alsácia, mas também é encontrada na Alemanha e outras regiões de clima frio.

• Malvasia: uma das mais antigas uvas brancas que se conhece (cerca de 2.000 anos). Apesar de produzir vinhos secos no sul da Itália, se notabilizou pelo vinho fortificado que produz em Portugal (Madeira).

• Muscadelle: típica variedade de Bordeaux, na França, usada principalmente para vinhos doces produzidos em Barsac e Sauternes. Como é muito aromático, é usado em pequenas quantidades quando misturados a vinhos doces baseados das uvas sémillon e sauvignon Blanc.

• Muscat (Moscato e Moscatel) - plantada no mundo todo é própria de vinhos doces perfumados. É a única uva vinífera que preserva os aromas de uva no vinho e talvez uma das espécies mais antigas ainda cultivadas. Usada para vinhos secos na Alsásia e para espumantes do tipo Asti Espumante e Moscato Bianco.

• Palomino: principal uva do vinho fortificado do Sul da Espanha, xerez.

• Pedro Ximenez: outra variedade do sul da Espanha utilizada nos vinhos fortificados xerez, como o Olorosso.

• Pinot Blanc (pinotbianco): esta uva dá vinhos leves, secos, frutados, para beber jovem, principalmente aqueles produzidos na Itália. Original da Borgonha, na França sua base é a Alsácia.

• Pinot Gris (tokay d'Alsace, pinotgrigio): da família pinotnoir, resulta em vinhos brancos leves, jovens e secos na Itália e mais ricos e perfumados, na região francesa da Alsácia.

• Prosecco: encontrada na região de Vêneto, na Itália, é responsável pela produção de espumantes frescos, frutados, com pouco acidez e paladar. Não se trata, portanto, de uma região, como muita gente pensa, mas de uma uva, usada por este espumante que se difundiu por todo o mundo.

• Riesling: junto com a Chardonnay é considerada a melhor uva branca do mundo. Produz vinhos com acidez elevada e teor alcoólico baixo (8ºC). Os melhores riesling são encontrados na Alemanha e produz vinhos de grande qualidade que é metido pelo seu teor de açúcar. Aromas delicados e florais.

• Sauvignon Blanc: têm acidez aguda, fresco, aspectos minerais e bastante frutados no Novo Mundo. Mantém a limpidez, pois raramente fica impregnada de carvalho. Na França, alcança melhores resultados em rótulos da região do Loire. É misturada com Sémillon em Bordeaux. Também é parte da composição dos vinhos doces de Sauternes e Barsac. Na Nova Zelândia, encontrou o solo ideal para produção de vinhos que colocaram o país no mapa do mundo do vinho.

• Sémillon: tanto vinhos brancos secos de Bourdeaux como vinhos doces da região de Sauternes, na França, usam esta variedade (como o ChâteauD'Yquem, 4/5 de sémillon e 1/5 de sauvignonblanc). Varia sua característica de acordo com a região que é cultivada: aromas cítricos e adocicado em Bordeaux e amanteigado e com grande potencial de envelhecimento na Austrália.

• Tocai (friulano): variedade branca cultivada na região italiana de Friuli-Veneza, que produz vinhos encorpados e elegantes. Não há qualquer relação da uva Tocai com os renomados vinhos húngaros doces Tokay (produzidos com a cepa furmint).

• Trebbiano: produz vinhos brancos mais comuns e sem personalidade na Itália. É plantada extensivamente em todo o país. Usada no corte com outras uvas para a composição de vinhos. Com o nome de ugniblanc e Saint-émilion é muito usada na produção de conhaque e armagnac, na França.


• Viognier: uva que produz vinhos brancos secos e com toques florais, bastante perfumados. De origem francesa, vem sendo redescoberta nos últimos anos. Produz vinhos muito ricos e refrescantes, para serem bebidos jovens.

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